Uma em cada oito mulheres que viverem até os 75 anos vão ter o diagnóstico de câncer de mama. O dado é da Sociedade Americana de Câncer. Mas, um diagnóstico preciso e precoce da doença e agilidade no tratamento podem ajudar a salvar ou prolongar a vida dessas pessoas. Um grupo de professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trabalha no desenvolvimento de um exame laboratorial com foco em facilitar e complementar os exames já existentes. A equipe é coordenada pela farmacêutica, professora e Doutora Maria Cláudia Santos da Silva, do Departamento de Análises Clínicas.

A expectativa é que esse método possa agilizar resultados como relata a pesquisadora. “Atualmente, o diagnóstico do câncer de mama é realizado pela análise morfológica e imuno-histoquímica do tecido removido, mas essas técnicas são morosas, podem levar de dias a um mês para sair o diagnóstico final, o que pode atrasar o início do tratamento. Assim, a implantação de metodologias mais rápidas de diagnóstico, como a que propomos neste trabalho, a citometria de fluxo, acelera o processo de diagnóstico, pois ela é uma metodologia que permite, em no máximo 4 horas, identificar essas células, e direcionar a investigação anatomopatológica”, detalhou Maria Cláudia.

A especialista lembra que a Lei Federal nº 12.732, de 22/11/2012, prevê que o início do primeiro tratamento de pacientes com diagnóstico de câncer seja feito em até, no máximo 60 dias. Mas, a demora no diagnóstico atualmente não permite atender essa determinação. Um método mais rápido permitiria cumprir a legislação, beneficiar o paciente e ainda reduzir os custos do Sistema Único de Saúde (SUS) com tratamentos de alto custo para os casos mais avançados da doença.

A pesquisadora detalha as etapas já desenvolvidas no estudo. “Na primeira etapa, foi possível diferenciar as células tumorais dos linfomas daquelas do câncer de mama e pulmão em líquido pleural por meio da utilização de biomarcadores por citometria de fluxo. Numa segunda etapa, investigamos a efetividade da detecção de células de mama por citometria de fluxo, utilizando tecido mamário de pacientes com o diagnóstico de câncer de mama. Os resultados foram positivos, pois a metodologia demonstrou boa sensibilidade e especificidade. Numa terceira etapa, estamos investigando a efetividade do método em pequenas amostras de tecido tumoral nos pacientes que ainda não têm o diagnóstico de câncer de mama, mas apenas suspeita pela mamografia. Essas análises ainda estão em andamento”, explicou Maria Cláudia.

A equipe executora do projeto é constituída por professores, farmacêuticos, dentistas e patologistas, todos pesquisadores da UFSC. Entre eles, pesquisadores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Farmácia da instituição. Para a conselheira federal de Farmácia por Santa Catarina, Hortência Tierling, a pesquisa é mais uma área importante onde os farmacêuticos têm se destacado. “A pesquisa é mais uma área importante na qual o farmacêutico tem se destacado. Neste estudo específico, eles tiveram papel significativo para as análises clínicas, pois o conhecimento na utilização da citometria de fluxo na rotina das análises clínicas para o diagnóstico e acompanhamento de outras patologias permite, com certeza, este avanço na pesquisa para a utilização da citometria de fluxo, visando ao diagnóstico mais rápido do câncer de mama”.

A pesquisa conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O estudo também envolve a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina e Instituto de Patologia Molecular e Imunologia da Universidade do Porto, Portugal.

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